Fala, leitor! Tudo bem? Habacuque aqui.
Quero conversar um pouco sobre programação, desenvolvimento de sistemas, design e inteligência artificial.
Minha formação acabou passando justamente por esses diferentes mundos. Eu me formei na área de programação e desenvolvimento de sistemas, mas também estudei e me formei em Design e Produção Multimídia. Na prática, isso fez com que eu tivesse contato tanto com código quanto com criação, comunicação, interfaces, imagem, animação e outras áreas que hoje costumamos enxergar como profissões bem separadas.
Quando eu estudava programação, inclusive, nunca senti que aquela era a minha área mais forte ou exatamente aquilo que eu mais gostava de fazer. Mesmo assim, isso não me fez abandonar os estudos. Continuei, me formei e fui entendendo, com o tempo, onde minhas habilidades se encaixavam melhor.
E talvez justamente por ter passado por programação, design e produção multimídia, hoje eu consiga enxergar com bastante clareza uma coisa curiosa que está acontecendo com a chegada da inteligência artificial.
Naquela época, o mercado de tecnologia era bem diferente do que vemos hoje.
As áreas ainda não estavam tão divididas. Termos como front-end e back-end não faziam parte do vocabulário popular como fazem atualmente. No design acontecia algo parecido. Quem estudava Design e Produção Multimídia acabava tendo contato com um pouco de tudo: identidade visual, marketing, ilustração, animação, interfaces e várias outras disciplinas.
Era muita coisa ao mesmo tempo.
Isso assustava quem estava começando, mas também tinha um efeito interessante: você experimentava várias áreas e acabava descobrindo mais rapidamente o que gostava de fazer e, principalmente, no que era bom.
Com o passar dos anos, aquele grande bloco começou a ser dividido.
Surgiram profissionais cada vez mais especializados: desenvolvedor front-end, desenvolvedor back-end, UX Designer, UI Designer, ilustrador, animador 2D, animador 3D, desenvolvedor de jogos, Game Designer, profissionais especializados em inteligência artificial, LLMs e tantas outras áreas.
Cada pequena parte passou a ter um especialista e uma estrutura de profissionais exclusiva dentro das empresas. Setores e times para cada área, e até mesmo pequenas empresas focadas em apenas uma destas áreas.
Só que agora, com a chegada da inteligência artificial, estamos começando a observar algo muito curioso.
Aquele profissional que conseguia participar de várias etapas de um projeto começa a ganhar força novamente.
Não porque uma única pessoa tenha se tornado especialista em tudo, mas porque a IA está diminuindo a distância entre as áreas.
Um profissional que entende desenvolvimento consegue utilizar IA para ajudá-lo com design.
Um designer que entende produto consegue prototipar ideias que antes dependeriam imediatamente de um desenvolvedor.
Um programador consegue analisar informações, criar interfaces, testar soluções e desenvolver protótipos em uma velocidade que seria difícil imaginar alguns anos atrás.
De certa forma, aquele grande bloco está começando a se aproximar novamente.
E existe outra coisa que tenho percebido.
Profissionais que estão há mais tempo no mercado e já passaram por diferentes mudanças tecnológicas parecem lidar um pouco melhor com essa transformação.
Não necessariamente porque sabem mais sobre inteligência artificial, mas porque já aprenderam uma coisa importante: a tecnologia muda.
As ferramentas mudam.
As linguagens mudam.
As profissões mudam.
E provavelmente vão continuar mudando.
Por isso, acredito que o diferencial dos próximos anos não estará apenas em dominar uma determinada ferramenta.
Os profissionais que possuem múltiplas habilidades, uma boa base de conhecimento e, principalmente, experiência em enfrentar problemas reais tendem a se adaptar melhor quando o mercado muda novamente.
Porque existe uma habilidade que continua sendo extremamente valiosa, independentemente da tecnologia:
saber resolver problemas.
E existe outra que muitas vezes é esquecida no setor de tecnologia:
saber vender uma solução.
Quem consegue identificar um problema, pensar em uma solução e utilizar a tecnologia para construí-la já possui uma vantagem enorme.
Quem, além disso, consegue explicar essa solução, mostrar seu valor e vendê-la, ganha uma vantagem ainda maior.
Talvez o futuro da tecnologia não seja simplesmente sobre quem sabe programar melhor, desenhar melhor ou utilizar melhor uma inteligência artificial.
Talvez seja sobre quem consegue juntar conhecimento, criatividade, tecnologia e experiência para resolver problemas que realmente existem.
E a IA, nesse cenário, não precisa substituir aquilo que sabemos fazer.
Ela pode ampliar aquilo que conseguimos fazer.